3 de jun. de 2011

Conexões: Roger Boscovitch



Fui o primeiro, em "O Despertar dos Mágicos" a emitir a hipótese segundo a qual Roger Boscovitch era um viajante vindo do futuro. Voltei a isso num outro artigo e depois outros estudos sérios a respeito desse tema foram publicados - em parte inspirados por mim. De modo especial "Boscovich, cientista e visionário", no livro de Pierre Duval "A Ciência diante do Estranho" ( Editions du Cal, 1973).

Pierre Duval é o pseudônimo de um eminente cientista que tem em relação a mim a vantagem de ler o latim . Suas traduções me foram muito uteis para aopiar minha hipótese segundo a qual Boscovich veio do futuro ou esteve em contato com homens provenientes do futuro.

Pierre Duval escreveu: "O bibliotecário dos Jesuítas em Chantilly foi obrigado a verificar seus arquivos e descobrir um exemplar da
Theoria philosophiae naturalis, de 1763, o único exemplar provavelmente existente na França. É um pequeno livro de
aproximadamente trezentas páginas, que parece ter viajado muito pois traz não sómente o carimbo da Biblioteca de Chantilly como
o da Embaixada da Inglaterra".

Resumamos o que sabemos com certeza de Boscovich. Toda vez que o qualifico de italiano atraio sobre mim os raios dos croatas. Aparentemente Boscovich é o unico homem ilustre do qual esse povo, conhecido por sua crueldade, chegou a se orgulhar. Mas na verdade se Ruggiero Giuseppe Boscovich ( seus dois prenomes são italianos ou italinizados) nasceu em Dubrovnik a 18 de maio de 1711 , fez toda a sua carreira em Milão, sendo aí que morreu. Só deixou a Itália quando esta foi interditada aos jesuitas em 1740. Alcançou então a França e tornou-se diretor de óptica no ministério da marinha.

Entrou na Companhia de Jesus em 1726 e tornou-se professor de matemáticas de sua universidade. Jesuíta mundano, dotado marcantemente de senso de humor, escrevia admiravelmente e Voltaire o definia da seguinte maneira: "O espírito de Newton na boca de Virgílio".

Interessou-se por arqueologia , por física, por química. E em muitos domínios, os mais diversos, estava não somente além de sua época, mas também além da nossa. Eis aqui, por exemplo, algumas proposições feitas por ele em ordens de idéias discordantes e que são absolutamente novas:

  • a criação de um ano geofísico internacional;
  • a responsabilidade dos mosquitos na transmissão da malária;
  • as utilizações possiveis do caucho - idéia que foi posta em prática por outro jesuita, seu amigo La Condamine;
  • a existencia de planetas ao redor de outras estrelas além do nosso sol;
  • a impossibilidade de localizar o psiquismo numa região determinada do corpo;
  • a conservação do "minimum" de quantidade de movimento no mundo , lei que só foi enunciada em 1958, conhecida pelo nome de "constante de Planck".


Escreveu muito. O mais surpreendente dos seus livros, o qual apareceu em 1758, é a Theoria philosophiae naturalis. Essa obra justifica exatamente a observação que fiz sôbre seu autor em "O Despertar dos Mágicos" : "Mutante? Viajante do Tempo? Extraterrestre camuflado atrás desse sérbio misterioso?"

Eu (J. Bergier) deveria dizer , admito-o, croata no lugar de sérbio. Após ter estudado Boscovich durante mais de dez anos, de me pôr em contato com especialistas russos e iugoslavos em Boscovich e suscitado os estudos de que falei antes, inclino-me seriamente hoje para a hipótese de Boscovich viajante do futuro.

Entremos agora nos detalhes.

Boscovitch começa sua Teoria por uma série de proposições enumeradas onde enuncia fatos sem dar prova. Seguramente não se trata do método cientifico habitual. Mas Talvez estivesse bem embaraçado em ter que dar as fontes de seu saber.

Ora, suas proposições ultrapassam de longe os conhecimentos de seu tempo, as vezes mesmo os do nosso como a proposição Phisica XXIV , que explica o fenomeno das causas dos cometas pelo efeito da pressão das radiações solares, e a proposição Physica XXXIV , que explica o raio como uma descarga elétrica entre as nuvens e a terra.

Encontra-se muito dessas proposições muito avançadas. Particularmente a respeito da estatística e a possibilidade que tem o acaso de produzir tudo contanto que lhe concedamos tempo.

Boscovich escreve:

"Se todas as letras que formam um poema de Virgilio são colocadas num saco e se as tiramos depois pondo-as uma ao lado da outra, continuando tal operação ao infinito, encontraremos ao cabo de um número determinado de vezes a combinação que corresponde ao poema de Virgílio."

William Gibbs, no século XIX, Borel no século XX, chegaram à mesma conclusão mas Boscovich escreveu isso em 1758. Como anuncia as estatisticas modernas anuncia a relatividade. E não duma maneira vaga. Escreveu:

"Não nos é possivel conhecer as localizações (modos existendi locales), as distâncias ou as grandezas absolutas. Não podmos conhecer o movimento que nos arrebata no mesmo tempo que o mundo , nem seus aumentos nem suas diminuições que não produzem mudança em nossas idéias. O que dizemos do espaço , podemos sem dificuldade afirmar do tempo . O vulgo
não crê que se possa transferir uma medida local do tempo a um outro momento do mesmo tempo: percebe que se trata de outra (medida) , mas a supõe igual por causa um movimento ( medida de tempo) suposto igual. Ora, é impossivel separar do lugar onde foi feita uma medida de comprimento e uma medida de tempo e transferi-los a um outro lugar a fim comparar ambas a uma terceira."

Isso foi em 1758. A relatividade restrita foi enunciada por Einstein em 1905. É inacreditavel, mas verdadeiro. E isso foi só o começo. Pois Boscovich continua e descreve outras possibilidades que são , quem sabe, do futuro, mas que com certeza não são nem de seu presente, nem do nosso.

Assim, e com a calma de quem não apresenta uma hipotese mas enuncia fatos, ele fala da possibilidade de atingir universos que não são nem de nosso espaço nem do nosso tempo, de atravessar a matéria sólida , de se encontrar em vários lugares ao mesmo tempo, da existencia de universos dos quais o nosso é apenas um atomo. . .

E da viagem do tempo.

Não há necessidade de aumentar e nem de extrapolar a partir do que Boscovich escreveu. Basta ler.

Para ajudar na compreensão exporei ao leitor uma idéia geral da teoria de Boscovich , abstraindo-me do emprego das matemáticas (o que é uma traição certamente, como as exposições "destituidas de matemática" da teoria de Einstein) . Mas como fazer de outro modo?

Boscovich nesse livro publicado em 1758 supõe que o espaço, o tempo , o movimento são descontínuos , compostos de
"corpusculos". No que concerne ao movimento e à materia, essa teoria, nós a reencontraremos no .inicio do século XX : é a teoria dos quanta de Planck. Impossível ter sido expressa no século XVIII. E todavia, ela o foi.

No que concerne ao tempo e ao espaço, trata-se de ciencia do futuro. E as conclusões que o próprio Boscovich tira disso são de uma audácia que ultrapassa de longe as idéias mais avançadas da fisica de 1974. Por exemplo:

"Entretanto pode existir uma ordem de coisas diferentes da nossa, com a qual, por exemplo, não temos nenhuma relação de
distancia . . . ou de tempo. O espirito se violenta tentando concebe-la e dificilmente a admite."

"Se em primeiro lugar o mesmo ponto material é unido ao mesmo ponto de espaço em diversos momentos do tempo separados por
qualquer intervalo, produzir-se-a uma regressão ao mesmo lugar."

"Ser-nos-ia possivel passar através de portas fechadas e voar através das paredes mais duras sem encontrar qualquer obstáculo. .
. se pudéssemos imprimir uma velocidade suficiente."

"Poderia ser que o Sol e todas as estrelas fixas não sejam senão uma única particula duma ordem superior. . . e que pertençam a
uma ordem mais imensa ainda; e poderia ser que existisse várias particulas dessa mesma ordem."

Em algumas frases , as quais não são extraidas duma obra de ficção cientifica, mas duma obra cientifica do século XVIII, Boscovich evocou sucessivamente os universos além de nosso sistema de espaço-tempo, a viagem no tempo , a transpassação de obstáculos, o universo do qual nosso sistema solar é somente um átomo.

E ele evoca muitas outras possibilidades. Ultrapassando a ciencia atual quantas dezenas de anos, quantos séculos? Ainda pensa que os "corpusculos" da matéria , os corpusculos de espaço e os corpusculos de tempo podem se combinar de oito maneiras ( duas ao cubo ). O que faz, por exemplo, um objeto poder se encontar simultaneamente em dois lugares do espaço (replicatio). Mas Boscovich acha que esse fenomeno não existe na natureza conhecida.

Ele teria estado sem dúvida muito cético quanto aos poderes de bilocação ou de multilocação atribuidos a certos santos, de nossos dias a Padre Pio. É verdade que quanto a Padre Pio, a Igreja Católica de hoje (1974) se mostra ela também bastante cética. Mesmo em Einstein, mesmo em Newton não encontraremos a audácia imaginativa que encontramos em Boscovich.

Numa época bem próxima, Gauss descobre as geometrias não-euclidianas, mas não ousa publicar seus trabalhos. . . enquanto que Boscovich enuncia calmamente verdade do futuro , como se não temese nem a opinião dos homens nem a ira da Igreja. E se ele é algumas vezes violento em relação aos imbecis, não é nem perseguido e nem um paranóico.

Percebe-se logo que do seu tempo ele havia lido tudo, estudado tudo, sabia tudo. É interrogado sobre todos os problemas, especialmente sobre a maneira de impedir que os rios produzam erosão nas margens, o modo de reparar a cúpula da Catedral de São Pedro em Roma, ou a maneira de descobrir os pontos de interesse arqueológico, ou ainda a forma de curar a malária.

Fisicamente podemos muito bem representa-lo como uma espécie de Aramis, um abade da corte , galante, muito discreto quanto aos seus sucessos com as mulheres. Diplomata às vezes, encarregado de missões secretas. E sobretudo cientista oficial. No dia 26 de junho de 1760, fez-se membro da Royal Society, agradecendo com um poema em latim, admirável, dizia-se.

As datas de seu nascimento como a sua morte podem muito bem ser falsas. O estado civil nessa época não é fixado. E se os documentos de identidade foram apresentados por ocasião de sua entrada no colégio dos jesuitas, talvez estes tivessem ordens para não observa-los muito cuidadosamente. O mesmo acontece no caso de filhas naturais de personagens importantes. O atestado de óbito nessa época também foi mal definido.

A Sra. Elizabeth Hill , que escreveu a melhor biografia de Boscovich, assinala que não se localizou a certidão de nascimento dele, mas só uma inscrição ao registro de batismos de Dubrovnik. Assinala igualmente que logo que ele morreu o cortejo fúnebre foi proibido e sua sepultura desapareceu. Não há evidentemente traço algum de autópsia ou de qualquer exame médico a que Boscovich tenha se submetido. Sabe-se sómente que ele foi enterrado em Milão e que morreu a 13 de janeiro de 1787 às onze horas da manhã.

Surgiram diversos panegíricos depois de sua morte . Todos insistiam no seu mau temperamento, na irritação que manifestava por viver num mundo que considerava povoado de imbecis. O astrônomo Lalande, que fez seu panegírico na Academia Francesa, disse, com respeito ao seu mau caráter:

"Era o único defeito que se conhecia nele, contudo era dotado de todas as qualidades que constituem um grande homem"

O monumento consagrado a Boscovich nos Jardins de Zagreb é uma estátua que apresenta um rosto imobilizado numa visão: "a da idade espacial", declara o escultor Ivan Metrovic. Foi dado igualmente seu nome a uma das crateras da lua. Existe um exemplar dum livro de Boscovich dedicado a lalande. A assinatura R. B. assemelha-se muito à de Roger bacon. Foi o que foi abservado por René Alleu. Não tiro nenhuma conclusão disso.

De qualquer modo, considerando-se esses conhecimentos uma tal imaginação cientifica não é comum e nem natural. É possivel, com certeza, que Boscovitch tenha sido um mutante. Possível, também que tenha sido encarregado de difundir conhecimentos provenientes de outro lugar. Em "Os Extraterrestres na História" classifiquei Boscovich no ramo desses difundores de conhecimento provenientes do espaço. Mas hoje estaria inclinado a ver nele um viajante do futuro. Pôde então expandir seus conhecimentos sem risco de transtorno já que ele vinha do futuro e sabia que realizando isso não mudava a história.

Boscovitch mantinha relações com Voltaire , Lalande, Benjamin Franklin e o surpreendente Barão de Gleichen, o mestre do pensamento da franco-maçonaria nascente, que em particular escreveu esta curiosa passagem:

"O pendor para o maravilhoso , inato em todos os homens em geral, meu gosto particular pelas impossibilidades, a inquietude de meu ceticismo habitual, meu desprezo pelo que sabemos e meu respeito pelo que ignoramos - eis os móveis que me fizeram viajar pelos espaços imaginários."

Em Londres , Boscovich frequentou o Colégio Invisivel e os alquimistas e deve ter mantido relações e trocado informações com Cavendish ( cf. "Os Extraterrestres na História"). Depois viajou pela Europa e pela Asia estudando com um cuidado todo particular os lugares onde Schliemann descobriria Tróia um século mais tarde.

Sua paixão para expandir seus conhecimentos era tal que em junho de 1768 , quando tinha quebrado a perna descendo de sua carroça, continuou fazendo seus cursos no leito e recebia seus alunos no quarto. Foi um bruxo de Bruxelas que lhe curou a perna com uma pomada misteriosa. Esse feiticeiro, de nome Vogels, continuou o tratamento à distancia, graças a um pó de simpatia, até que finalmente Boscovich escapou da amputação. Ele conta a história de sua perna a sue amigo La Condamine , que por sua vez o informa da interdição e expulsão dos jesuitas da Califórnia.( Os jesuitas da Califórnia ficarão na cladestinidade até o principio do séilo XIX . Cem anos depois um americano chamado Johnston McGully escreveria um romance nasceu um filme mudo genial, cujo herói se tornaria famoso no mundo inteiro : Zorro.)

Foi em 1758 que Boscovich revelou uma parte do que sabia na sua Theoria Philosophie Naturalis , a qual ele corrige para uma nova edição em 1763. Ele escreveu em latim e uma tradução inglesa surgiu em 1922 . Certamente a Theoria contém uma quantidade impressionante de revelações , grande demais para ser apresentada aqui. Apresento a lista de lancelot Law Whyte, um dos mais importantes filósofos das ciências contemporaneas. Essa lista não cobre inteiramente a minha , mas é tanto mais interessante à medida que não se pode suspeitar que Lancelot Law White seja autor de ficção cientifica e nem mesmo sensível ao espírito de "O Despertar dos Mágicos".

Escreve ele:

"A Theoria contém passagens brilhantes sobre a continuidade, a geometria, a penetrabilidade. Sobre os universos que não reagem
entre si e flutuam sem influenciar-se uns através dos outros, as formas da matéria à densidade muito alta, os universos finitos, os
pontos-limites, as estruturas internas, os campos moleculares complexos, as reações em cadeia, a probabilidade, a idéia segundo
a qual o universo não pode jamais voltar ao mesmo estado, e a importancia da proporcionalidade , da massa gravitacional e da
massa inerte."

Ora, a maioria desses pontos pertencem aos domínios mais avançados da física matemática moderna. Alguns estão nem além dela, como os universos que se cruzam e que chamamos impropriamente em ficção científica "universos paralelos" ( com efeito, as paralelas não se encontram, salvo no infinito, enquanto a ficção cientifica imagina intersecções, pontos de encontro e de contato entre esses universos que como escreveu Wells "estão mais próximos de nós que nossas mãos e nossos pés de nosso proprio universo".)

Grandes nomes da física , como Young, Faraday, Maxwell e Kelvin consideram Boscovich um grande percursor. Mendeleef , o grande químico russo ao qual devemos a tabela periódica dos elementos , o compara a Copérnico. Durante um certo tempo suas teorias caíram no esquecimento , mas um rebascimento de Boscovich está na iminência de se produzir. Cita-se cada vez mais frequentemente este juízo de Nietzsche: "A teoria de Boscovich constitui o mais importante triunfo sobre os sentidos que já se verificou na Terra".

Procurou-se evidentemente as fontes nas quais Boscovich bebeu . Porém nunca foram encontardas. Obviamente ele leu Leibniz e Newton, mas é impossivel encontrar em Newton, que foi um espírito muito aberto, alusões precisas em relação a outros universos coexistentes ao nosso, ou em relação à viagem no tempo, ou em relação à multilocação.

Boscovich parece ter sido incumbido da missão de comunicar informações . Lancelot Law Whyte estabelecu uma lista dos grandes homens que ele influenciou. Priestley, Young, Davy , Faraday, Clerk, Maxwell, Kelvin, H.J. Thompson na Inglaterra . Na França: Clairnault, landale, Laplace, Gay-Lussac, Ampére, Cauchy, Segui, Saint-Venant. Em outros lugares: Fechner, Weber, Helmotz, Hertz, Lorentz. Se considerarmos esta lista, podemos dizer que foi bem sucedido.

Mas de onde retirava suas informações? Se as ciencias continuassem a progredir no mesmo ritmo que progrediram até o presente, poderiamos dizer que a teoria de Boscovich corresponde ao estado das ciências no século( Parece que existem nos arquivos iuguslavos textos de Boscovich mais importantes ainda que a Theoria, inéditos até o presente).

Ele fala dum "tempo colocado fora de nosso tempo", isto é constituido de instantes que não estão nem no presente, nem no
passado, nem no futuro. Esse tempo fora do tempo serviu-lhe para viajar no nosso tempo humano? Utilizou-o Boscovich para vir do futuro?

Considero uma possibilidade . Evidentemente não uma certeza. Pode-se também, como o fiz outrora, apresentar uma hipótese segundo a qual Boscovich teria obtido essas informações de uma civilização galáctica de alhures. Entretanto, esclarecer lógicamente um fenomeno tão excepcional como o de Boscovich através de fontes e influencias exteriores me parece atualmente muito dificil, quase impossivel.

Duval, no livro que já citei, escreve com inteira propriedade: "O genio é acompanhado de verdadeiros dons de visionário. A previsão do futuro pode ser extraordinária em Julio Verne, por exemplo, ao qual não se poderia negar uma espécie de genio, tanto mais
porque os futurólogos costumam ser duma falsidade espantosa. Com as devidas exceções.

"Em outros casos ainda, o problema é mais estranho: como denominar a faculdade que permite a alguns alcançar um nivel de
conhecimento que não poderiam ter no seu tempo? Estaremos falando dum saber oculto e antigo do qual conseguiram descobrir
algumas migalhas? Tal coisa não é forçosamente absurda e acabamos de ver o problema colocado pelos antigos mapas e os
portulanos estudados por Hapgood. Mas que dizer quando o autor disso é um cientista respeitado, oficial, universalmente conhecido
e que enuncia proposições estupidificantes como se fossem suas e sem citar suas fontes? É o caso de Boscovich."

Eis aí uma posição prudente que eu (J. Bergier) respeito. Mas me parece que em alguns casos a prudencia não é mais suficiente. É necessário a audácia. É por isso que após maduras reflexões agora coloco Boscovich entre os Viajantes do Tempo.

Extraido do livro Os Mestres Secretos do Tempo de J. Bergier - Hemus -1974

3 de mai. de 2011

Força Viva

Primeiro capítulo do livro "Força Viva" de L.V. Andrews:

Não existem curandeiros sem curandeiras. Um curandeiro recebe o poder de uma mulher, e sempre foi assim. O curandeiro substitui o cachorro. Não passa de instrumento de uma mulher. Hoje em dia não parece mais ser assim, mas é verdade.

— Agnes Alce-Que-Assovia

Uma lua amarela surgiu por trás das colinas, a distância. O céu era belo, imenso, e ouviam-se os coiotes entoar sua canção lamentosa.

Eu estava sentada diante de uma fogueira ao ar livre, na companhia de uma velha índia. Seu rosto, tão enrugado quanto um fruto amadurecido, tinha maçãs salientes, e suas longas trancas caíam bem abaixo dos ombros. No pescoço, um colar de contas, destinado à cura, por cima da blusa verde xadrez.

— Sua vida é um caminho — afirmou e, no início, era difícil entender o sotaque carregado. — Sabendo, ou não, você tem andando em busca de uma visão. É bom ter uma visão, um sonho.

Existia naquela criatura algo que se impunha. Sua personalidade parecia modificar-se de um momento para outro. Embora sentisse dificuldade em exprimir em inglês os pensamentos mais simples, era tão erudita quanto qualquer outra pessoa que eu conhecia, além de possuir grande dignidade.

— A mulher é o máximo — afirmou. — A mãe terra pertence à mulher, não ao homem. Ela carrega o vazio.

Foram as palavras que me dirigiu antes de me tornar sua aprendiz. É uma curandeira ou heyoka. Estava destinada a segui-la durante sete anos. Este livro é um registro de minha jornada através de seus domínios, estranhos e belos. É uma comemoração do poder da mulher, tal como ela me fez enxergar esse poder.


Estou caminhando através de uma paragem distante. A pradaria está recoberta de vegetação rasteira, esparsa, e de cedros que se concentram em alguns pontos. Penso num vale solitário, numa cratera da lua. Em meio àquele silêncio, estranho e vasto, deparo com um armário todo esculpido. Seu artesanato é notável. Consigo enxergar através de suas portas translúcidas. A esquerda, por detrás do vidro, um rosto de mulher me encara. E o de uma antiga índia americana. À direita, vejo um corvo de um negro azulado. A cena recorda-me um quadro de Magritte.

A cabeça da mulher, de repente, começa a cair para trás e para a frente, em movimentos ritmados, como um metrânomo.

Quantas vezes preciso dizer ela me repreende, sem interromper o movimento da cabeça que o cesto de casamento não está à venda? Você precisa conquistá-lo.

Enquanto estou sendo admoestada, minha atenção desvia-se para o olho brilhante do corvo. Seu corpo gira e ela encara a cabeça da mulher, movimentando-se na mesma batida de um metrânomo.

Fico assustada. O corvo começa a imitar a fala da velha. As duas vozes não se confundem e são tão belicosas que estremeço.


Vi apenas um cesto de casamento em toda minha vida. Sei, porém, que o cesto ainda existe. Onde, ignoro,

Hyemeyohsts Tempestade

5 de abr. de 2011

Renascimento Arcaico



A história está terminando porque o dominador da cultura levou a espécie humana a um
beco sem saída, e com a inevitável aproximação do “caos de consumo das plantas”,
pessoas procuram por metáforas e respostas. Cada vez que uma cultura começa a ter
problemas, ela mesma regride ao passado olhando para o ultimo momento de sanidade
que já se conheceu. E o ultimo momento de sanidade que nós já conhecemos foi sobre
as planícies da África 15,000 anos atrás com o auxílio do embalo do grande e gostoso
cogumelo deus antes da história, antes de exércitos permanentes, antes da escravidão e
propriedade, antes da guerra, alfabetos fonéticos e monoteísmo, antes, antes, antes. E
este é local onde o futuro está nos levando, por que a fé secreta do século XX não é o
modernismo, a fé secreta do século XX é a nostalgia para o arcaico, nostalgia para o
paleolítico, e isso nos traz, body piercing, expressionismo abstrato, surrealismo, jazz,
rock-n-roll e a teoria da catástrofe. O espírito do século 20 é nostálgico para o paraíso
que uma vez que esteve sobre a existência do cogumelo pontilhado das planícies da
África quando a simbiose planta-humano que ocorreu nos puxou para fora do corpo
animal e através da utilização de ferramentas, criação de culturas, de imaginação,
explorando a criatura que somos. E por que isso importa? Isso importa por que mostra
que a saída é voltar e que o futuro é uma fuga para escapar do passado. Isso é o que a
experiência psicodélica significa. É uma porta saída da história para prover informações
sobre a eternidade. E eu disse para você isso porque se a comunidade entender o que os
matem juntos, ela estará mais bem habilitada a racionalizar a si própria para voar no
hiper-espaço porque o que nós precisamos é de um novo mito, o que nós precisamos é
de uma nova história verdadeira que nos diz onde estamos indo no universo, e que a
história verdadeira é que o ego é um produto da patologia, e quando a psilocibina é
regularmente parte da experiência humana, o ego é suprimido, e a supressão do ego
significa a morte do dominador, dos materialistas, do produto intangível. Psicodelia nos
faz voltar ao valor interior que existe em nós, a importância da experiência imediata
ninguém pode nos vender e você não pode vender isso pra ninguém, então a cultura
dominadora não está interessada em sentir a presença de uma experiência imediata, e é
isso que mantém a comunidade junta. E como podemos parar esses ridículos mitos da
ciência, e a obsessão infantil do mercado que nós descobrimos através da experiência
psicodélica que há no corpo, existem Niagaras de beleza, beleza alienígena, dimensões
alienígenas que fazem parte de nós mesmos, a parte mais rica da vida. Eu não penso em
ir para o túmulo sem ter uma experiência psicodélica assim como ir para o túmulo sem
nunca ter feito sexo. Isso significa que você não descobriu sobre o que é tudo isso. O
mistério está no corpo e da forma como o corpo trabalha na própria natureza. Que o
renascimento arcaico significa xamanismo, ecstacy, relatos de sexualidade, e da derrota
dos três inimigos das pessoas, e os três inimigos das pessoas são: a hegemonia,
monogamia e monotonia! E se você adquiri-los na caminhada pegará uma carona com
os dominadores, porque isso significa que você está se reconectando ao todo, e
reconectando-se com tudo isso significa colocar de lado a idéia de separatividade e
auto-definição através das coisas do fetiche. Conectar tudo isso significa escutar a
mente de Gaia, e a mente de Gaia é o que estamos chamando de experiência
psicodélica. A sua experiência da vida é uma realidade da inteligência do planeta. E sem
essa experiência estamos vagando em um deserto de ideologias fictícias. Mas com essa
experiência a bússola do si próprio pode ser definida, e essa é a idéia, descobrindo como
reiniciar a bússola do si próprio através da comunidade, através da dança extática,
através da psicodelia, sexualidade, inteligência e inteligência. Isto é o que temos de ter
para viajar nesse hiper-espaço.

http://mundocogumelo.wordpress.com/page/5/

1 de mar. de 2011

Seu Cerebro é Deus - Thimoth Leary

“IMPRIMINDO” A EXPERIÊNCIA TAOÍSTA

Em 1960-63, nós, pesquisadores sobre drogas, em Harvard entendemos que não sabíamos o suficiente sobre a enorme gama de reações ativadas pelas drogas que mudam o cérebro. Mesmo depois de centenas de viagens, nossos pilotos de teste veteranos reportaram maravilhosas novas dimensões de galáxias adentro. Por essa razão nós decidimos adiar nosso mapeamento navegacional. Toda semana, novas evidências mudavam os mapas. Sentimos-nos como os cartógrafos do século XVI na Europa Ocidental ansiosamente interrogando a tripulação retornando do novo mundo.

O Livro Tibetano dos Vivos, nossa primeira especulação em atualizar os velhos mapas de viagem neurológica, foi tão bem sucedido que nos alarmamos. Milhares de pessoas começaram a usar o jargão Tibetano dos Bardos e, um rumo definido à mania em direção ao Budismo estava se desenvolvendo.

Para desviar essa renascença pré-científica Oriental, nós rapidamente fomos em busca de outro texto, menos paroquial para descrever e guiar os astronautas do cérebro (aka neuronautas). A vantagem do Tao Te Ching era que esse texto Taoista era quase sem-conteúdo. Não existem monges devotos,

cabeças raspadas, chapéus vermelhos, chapéus amarelos, robes laranjas ou níveis específicos de paraíso, purgatório e inferno no Tao Te Ching.

O Tao celebra o fluxo constante da evolução, o fluxo eterno dos processos de energia em constante mutação. O conselho básico do Taoísmo — “Tudo muda de acordo com ciclos regulares e ritmos. Então fique frio, veja o declínio e flutue — e quando as ondas estiverem prontas, surfe-as”.

TAO TE CHING

O Tao Te Ching chinês, algumas vezes traduzido como A forma de Viver, escrito há cerca de 2.600 anos atrás, por um ou muitos filósofos chamados para nós de “velho camarada” — Lao Tsé — vai permanecer infinitamente moderno até que o homem tenha o mesmo tipo de sistema nervoso e lide com a gama de energias que agora encontra.

Tao é mais bem traduzido como “energia”, ou processo de energia — energia em seu estado puro e desestruturado — o “E” da equação de Einstein — e seus estados de estrutura incontáveis e temporários — o “M” da equação de Einstein. O Tao é uma ode à física nuclear, à vida, ao código genético, àquela forma de estrutura de energia transiente que chamamos de “homem”, àquelas formas de energia mais estáticas e sem vida que chamamos de artefatos e símbolos do homem. A mensagem do Tao Te Ching é que tudo é energia, toda energia flui; todas as coisas continuamente se transformam.

Tao Te Ching é divido em 2 livros — o primeiro, compreendendo 37 capítulos, o segundo 44. É uma série de 81 versos que celebram o fluxo de energia, suas manifestações, e, no lado prático, as implicações para os esforços do homem. A maioria dos sutras pragmáticos do Tao foi direcionada a um governante de um estado e seus guias espirituais. Como todos os grandes textos, o Tao foi reescrito e reinterpretado em todos os séculos, os termos para Tao também mudam em cada século. Conselhos dados por filósofos para seus cardeais podem ser aplicados a como conduzir sua casa, seu escritório e também uma experiência psicodélica.

TRADUÇÃO PARA O “PSICODELIQUÊS”

Durante aquele período, escrevi as Orações Psicodélicas do Tao Te Ching — o primeiro livro especificamente designado a reimprimir os cérebros humanos durante os “períodos críticos” de vulnerabilidade neural. Por sinal, esse é o segundo livro explicitamente designado como um manual de lavagem cerebral. O intuito insidioso desse Dr. Frankenstein era o de preparar os jovens que tomavam grandes doses de LSD a absorver uma nova visão da realidade baseada em uma ciência pós-einsteiniana e pós-DNA.

Pelos anos que milhares de jovens com doutorados entraram em suas carreiras na ciência, eles tiveram seus cérebros direcionados a esse livro de hinos, odes e cânticos ao átomo, à espiral do DNA, e ao cérebro. O livro Orações Psicodélicas foi reimpresso mais de 20 vezes e provavelmente arqueou mais de 200.000 jovens cérebros.

Essas traduções do inglês ao “psicodeliquês” foram feitas enquanto sentados sobre uma árvore de bambu em um aclive gramado das montanhas de Kumaon olhando por cima os cumes de neve do Himalaia. Eu tinha 9 traduções do Tao. Eu selecionava um capítulo do Tao e o lia e relia em todas as 9 versões. Cada mente ocidental, é claro, fez sua própria interpretação do fluxo caligráfico. Mas após horas de releitura e meditação, a essência do poema murmuraria. Lentamente uma versão psicodélica do capítulo emergiria.

O primeiro anteprojeto seria então colocado no microscópio psicodélico. Por muitos anos eu demandei a busca pela yoga em sessões de LSD semanalmente. E em cada momento que nosso cozinheiro maometano andava pela vila, ele trazia um pedaço de “attar” do tamanho de um lápis de cera, ou essência da resina da planta da maconha, algumas vezes chamado de haxixe. O LSD abriu as lentes da consciência celular e molecular. O “attar” purificou as janelas dos sentidos. Durante essas sessões, eu lia grande parte do rascunho recente dos poemas do Tao. Uma modesta experiência para esse poeta — ter minhas palavras expostas à exaltação psicodélica sem piedade.

18 de fev. de 2011

As Dez Plantas Mestras

O Xamanismo Ancestral dividiu as plantas em 3 categorias: plantas medicinais, plantas de poder e plantas mestras professoras. As plantas medicinais são mais utilizadas para fins analgésicos em geral, as plantas de poder fornecem uma conexão com dimensões energéticas/espirituais superiores, como o Mundo dos Espíritos e as plantas mestras professoras tem o objetivo de não apenas nos remeter ao Mundo dos Espíritos, bem como nos ensinar, guiar e orientar, nos ajudando a compreender o Universo e nosso micro-universo, sob novas perspectivas e pontos de vistas mais sutis, assim como também podem nos remeter ao passado para resgatar alguma habilidade perdida, também atuam como poderosas ferramentas de cura, tanto fisica como emocional, mental e espiritual.

Existe no mundo centenas de milhares de espécies vegetais, dessa imensidão de plantas o homem não conhece 20 porcento. Estudando suas utilidades curativas e de auto-conhecimento nossos ancestrais encontraram grande magia nas plantas. Desde tempos remotos o homem já se concectava com sua Divindade através de Bebidas Sagradas, desde o SOMA da Índia à Ayahuasca Sulamericana, em todos os continentes do planeta acharemos evidências e práticas espirituais que ainda utilizam tais meios para se concectarem com o Mundo dos Espíritos e assim, obter cura e auto-conhecimento.

Relacionamos 10 plantas mestras professoras muitos significativas na atualidade no meio xamânico. Estas plantas quando utilizadas da maneira correta e ministradas por xamãs sérios e experientes, nos proporcionará experiências agradáveis e curas significativas em nossas vidas.

As 10 Plantas Mestras Professoras:

1 - CHACRONA (Psichotria viridis) e JAGUBE (Banisteria caapi)

Chacrona e Jagube A Chacrona e o Jagube estão no topo da classificação, em empate. Sua substância ativa é o DMT (N-dimetiltriptamina). São as plantas mestras professoras mais poderosas do xamanismo, da preparação de ambas nasce a Bebida Sagrada conhecida como Ayahuasca ou "Vinho das Almas". Plantas originárias da América do Sul, encontradas em toda a região amazônica. Utilizada para busca de auto-conhecimento e cura por pajés, xamãs e curandeiros.

2 - PEYOTE (Lophophora williamsii)

PeyoteO peyote é um cacto originário da América Central e é muito utilizado pelas tribos indígenas do México e dos Estados Unidos. A substância ativa encontrada é a mescalina. Esta planta é utilizada em rituais de cura e nos remete a experiências visionárias, é utilizada pela Igreja Nativa Americana em seus cultos sagrados.

3 - WACHUMA (Trichocereus Pachanoi)

WachumaO Wachuma ou San Pedro é um cacto originário da região dos Andes, Chile, Bolívia, Perú, Equador e Colômbia. Sua substância ativa é a mescalina. Planta utilizada para cura e experiências visionárias e adivinhatórias, onde o xamã é levado a ter a visão da cura do enfermo, o espírito da planta entra em contato com o xamã ensinando-o a expulsar a enfermidade.

4 - IBOGA (Tabernanthe iboga)

IbogaA Bebida Sagrada mais usada na África chama-se Bwitists, que é uma preparação da raíz do Iboga, planta mestra muito utilizada pelos pigmeus, tribo indígena africana. Sua substância ativa é o alcalóide ibogaína. Muito utilizado pelos xamãs africanos em sessões de cura. O Iboga estimula o sistema nervoso central e induz a experiências visionárias e a transes profundos.

5 - DATURA (Datura wrightii e Datura stramonium)

DaturaExistem diversos tipos de Datura, porém, as únicas que são realmente plantas mestras professoras são a Datura wrightii e a Datura stramonium. Planta originária do México e Estados Unidos, porém, a Datura stramonium é encontrada no Brasil. Sua subtância ativa é a scopolamina. É uma das plantas mestras mais perigosas, deve apenas ser ministradas por xamãs muito experiêntes. Experiências recreativas podem ser fatais.

6 - JUREMA (Mimosa hostilis)

JuremaA Jurema, também conhecida como Jurema-preta, também é nome de uma Bebida Sagrada feita com a raiz da árvore do mesmo nome (Mimosa hostilis). Os pajés, sacerdotes tupis, também fazem outra Bebida Sagrada da jurema-branca (Mimosa verrucosa), para estimular sonhos afrodisíacos. É um tipo de Bebida Sagrada servida em reuniões especiais. Das raízes e raspas dos galhos, os feiticeiros e pajés, babalorixás, os mestres do catimbó, os pais-de-terreiro do candomblé de caboclo fazem uso abundante. Sua substância ativa é o DMT (N-dimetiltriptamina). É utiliza tradicionalmente para fins medicinais e religiosos. Sua casca é usada para fins medicinais e a casca de sua raiz é a parte da planta usada nas cerimônias religiosas, pois possui maior parte dos alcalóides psicoativos.

7 - SOMA (Amanita muscaria)

Amanita (Soma)O nome SOMA provém dos Vedas, escrituras sagradas da Índia, que nos relata que esta seria a Bebida Sagrada mais antiga da humanidade. SOMA é a Bebida Sagrada preparada com o cogumelo Amanita muscaria. Sacramentado até os dias de hoje na Índia, Sibéria e Austrália, por tribos aborígenes. A substância ativa do SOMA é o alcalóide ephedrina, que nos remete a transes extâticos profundos, conhecido como samadi em sânskrito.

8 - LÓTUS AZUL (Nymphaea caerulea)

Lótus AzulEsta planta mestra é originária no Egito antigo, assim como também é encontrada na América do Sul. A Bebida Sagrada é feita através das flores da planta. Suas substâncias ativas são os alcalóides nuciferina e apomorphina, que nos enduz a experiências visionárias. Desta planta também são realizados diversos preparos afrodisíacos.

9 - SÁLVIA (Salvia Divinorum)

Salvia DivinorumExistem diversas espécies de Sálvia, porém, a única considerada como planta mestra professora é a Salvia Divinorum. Também conhecida como Maria Pastora pelas tribos indígenas mexicanas e Diviner's Sage pela tribos americanas. Sua substância ativa chama-se Salvinorin A. Planta que nos remete a experiências visionárias.

10 - PARICÁ ou YOPO (Anadenanthera peregrina)

ParicáParicá é o extrato moído, rapé, do caule ou das sementes da árvore conhecida no Brasil como Angico. Planta originária da América do Sul, encontrada especialmente no Brasil. Sua substância ativa é o DMT (N-dimetiltriptamina). Muita utilizado pelas tribos indígenas em rituais de cura e em experiências adivinhatórias, onde o xamã ou pajé, é levado a ter a visão da cura do enfermo. Durante o ritual o xamã inala junto com o enfermo uma quantidade do rapé de paricá para entrarem no estado alterado de consciência, estado este que proporciona as experiências de cura.

Receba sempre meus mais sinceros cumprimentos xamânicos em nome de todas as sagradas tradições,

Akaiê Sramana - Grão-Mestre e Fundador Acharya da Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral
Akaiê Sramana
Grão-Mestre e Fundador Acharya da Sagrada Tradição Xamanismo Ancestral
Fundador da ALDEIA DE SHIVA - Centro Espiritualista Universal Xamânico Ancestral
Grão-Mestre e Codificador do R'XA - REIKI XAMÂNICO ANCESTRAL

16 de nov. de 2010

Seu Cérebro é Deus - Timothy Leary

Capítulo 1
TEOLOGIA FAÇA-VOCÊ-MESMO

Quatro meses antes de ter sido demitido da Universidade de Harvard, a Associação de Psicólogos Luteranos nos convidou para que discursássemos na Associação Americana de Psicologia de 1963. Nos anos 50 eu administrei “screening tests” para a maioria dos jovens pastores na Igreja Luterana, e então me perguntei se essas contribuições para a fé estariam, talvez, sendo reconhecidas. Os discursos eram uma tentativa de cientifizar o mito e mitificar a ciência. Nós estávamos tentando, tão romanticamente, tornar heróicas – santificar - nossas vidas, suas vidas, a vida por si só.
Uma dissertação descrevendo minha teologia summa1 foi largamente relançada em várias línguas e provavelmente contribuiu para o desabrochar dos jovens cientistas visionários que nos anos 80, tendo de 30 a 45 anos, estavam trespassando as fronteiras da física, química e biologia. Eu tenho trabalhado na tradução de edições clássicas de teologia, na linguagem da ciência moderna pelos últimos 18 anos, refinando e atualizando. Essa era minha teologia summa e deve ter sido a primeira filosofia de grande amplitude a lidar com evolução, tanto de espécies como de indivíduos; tanto do passado como do futuro.
É seguro estimar que mais de 100 jovens físicos e um grande número de biólogos leram aquele primeiro paper em algum ponto no caminho. Imagine-se um impressionável, brilhante estudante de universidade, por volta de 1964-70, buscando, experimentando, sonhando os sonhos de magnificência, idealismo e esplendor que caracterizaram mais que um período otimista utópico.
TEOLOGIA ATIVISTA
Essa é uma teologia ativista e faça-você-mesmo. Deus é definido em termos de tecnologias envolvidas em criar um universo e construir os estágiosóbvios da evolução. À pessoa interessada em jogar o Jogo-de-Deus são dadas sugestões para que se ativem os vários níveis de inteligência em seus próprios cérebros e DNAs, expressando-as através das ferramentas da ciência moderna. A qualquer ser humano que deseje aceitar a responsabilidade, são oferecidos os poderes tradicionalmente atribuídos à divindade.

CAPÍTULO 2
RITUAL SACRAMENTAL
Há muitos anos atrás, em uma ensolarada tarde em um jardim de Cuernavaca, eu comi 7 tão-chamados “cogumelos sagrados” que me foram dados por um cientista da Universidade do México. Durante as próximas 5 horas, eu fui rodopiado por uma experiência que foi, acima de qualquer questão, a mais profunda experiência “religiosa-filosófica” de minha vida. E foi totalmente elétrica, celular, científica e cinematográfica.
Reações pessoais, por mais que passionais, são sempre relativas e têm pouco significado geral. Depois vêm as questões, “hum?! Por quê? E dai?!”
Muitos fatores predispostos – fisiológicos, emocionais, intelectuais, ético-sociais e financeiros – levam uma pessoa a estar preparada para uma dramática experiência de expansão mental e conduzem outros a se contrair a novos níveis de inteligência. A descoberta do fato de que o cérebro humano possui uma infinidade de potencialidades e pode operar em espaços inesperados nas dimensões do espaço-tempo me deixou ingenuamente animado, amedrontado e um tanto quanto convencido de que havia acordado de um longo sonho ontológico.
Desde minha “brain-activation-illumination” de agosto de 1960, eu tenho repetido esse ritual bioquímico – e, para mim, sacramental - dezenas de milhares de vezes, e todas as subseqüentes “expansões” cerebrais me admiraram com as mesmas revelações filosófico-científicas da primeira experiência.
Durante o período de 1960-68 eu tenho sido sortudo o bastante para colaborar com centenas de cientistas e alunos que se juntaram aos vários projetos de pesquisa e busca. Em nossos “brain-activation centers” em Harvard, no México, Marrocos, Almora, Índia, Millbrook e nas montanhas da Califórnia, nós organizamos “brain-change experiences” para centenas de milhares de pessoas de todas as andanças de vida, incluindo mais de 400 profissionais religiosos de tempo integral – cerca de metade profetizando a fé Cristã ou Judaica e a outra metade pertencendo a religiões orientais, célticas ou pagãs.

PRINCÍPIOS
Em 1962, um grupo informal de pastores, teólogos, ativos acadêmicos e psicólogos religiosos, no ambiente de Harvard, começou a encontrar-se uma vez por mês para dar continuidade a esse princípio. Esse grupo era o núcleo principal de planos da organização que assumiu a fiança para nossa pesquisa de expansão-da-consciência – IFIF*, em 1963, a Fundaçao Castalia em 1963-66 e a Liga para Descoberta Espiritual em 1966. Nosso impulso e liderança originais vieram de um seminário sobre experiência religiosa relacionado à confusão alarmante que afloramos nos círculos psiquiátricos seculares da época.

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DEUS - O ARTISTA HEDONISTA
O conceito de Deus, o Hedonista, emergiu na Grécia nos séculos antes de Cristo. Aqui, as maravilhosas noções de individualidade e democracia afloraram pela primeira vez. Se o ser humano singular é a unidade da vida, então naturalmente o indivíduo vai desenvolver uma filosofia pessoal e selecionar seu próprio estilo de auto-recompensa.
A idéia de beleza, a adoração do corpo humano, sua vestimenta, nutrição, recreação, exibição e sua harmonia com ambientes estéticos duraram pelas hegemonias de Alexandre, Roma, do Catolicismo, apareceram de repente de forma magnífica no Renascimento, andaram na onda do Protestantismo e apareceram no século XX na forma do boêmio, o artista, divertidor, o designer, o(a) playboy-playgirl.
Algumas religiões caprichosamente permitiram cultos que focassem na energia somática e na sensualidade sagrada. O Tantra — tanto Bengali como Tibetano, Zen, Judaico Hasidico, preservaram as noções da kundalini, consciência do cakra, erotismo-espiritual, exuberância absorta e estados místicos alterados. Mas o Hedonismo sempre foi facilmente restringido por estados religiosos centralizados e restritos a uma casta especializada de artistas geralmente padronizados e tolerados pelos soberanos. Isso funcionou bem. Os mestres precisavam dos esteticistas hedonistas para entreter e embelezar enquanto a grande massa do povo era mantida no asceticismo submissivo. As classes mais baixas e as minorias eram usualmente permitidas se pouparem da sensualidade indecente, rigorosamente condenada pelos burgueses moralistas.
No século XX, o conceito de indivíduo de repente se tornou popularizado e vulgarizado. Duas guerras mundiais moveram populações, reduzindo a influência da censura moral paroquial. Psicoanalistas introduziram a noção de auto-progresso. A explosão da cultura do vídeo/filme treinou o povo a ligar e sintonizar o entretenimento que desejassem. A mania do consumismo material dos anos 50 fortificou a idéia de que a pessoa trabalhadora estava titulada a escolher o que era bonito — isto é,coisas compráveis.

RESSURREIÇÃO DO CORPO
Nos anos 60, a tradição de 2.500 anos de auto-descoberta e auto-indulgência finalmente afloraram como um fenômeno massivo. A grande difusão do uso de drogas hedonistas levou à ressurreição do corpo. O consumismo sensual. A liberação sexual. Vestido erótico, dança, fala, impressão, filme, música. Métodos de saúde holísticos. Dieta, jogging, a última moda. A pessoa trabalhadora descobriu que seu próprio corpo pertencia não ao estado ou ao moralista ou doutor autoritário, mas a ela mesma.
O uso continuamente expandido de drogas que “ativam” o cérebro nos anos 70 construiu o momentum hedonista por causa do fato neurológico óbvio de que as drogas “ligam” o corpo. Um dos horrores absortos da experiência de LSD é o
confronto repentino com o seu próprio corpo. Você é jogado de catapulta dentro da matriz de quadrilhões de células enroscadas e sistemas de comunicação somáticos, varrido aos túneis e canais de suas próprias cachoeiras. Você tem visões de processos microscópicos, estranhos e padrões de tecido ondulatórios. Você é socado com a fantástica arte das lojas internas, contraindo-se de medo ou berrando de prazer no incessante empurrão, na batalha, e no transporte do maquinário biológico te absorvendo.

O PARAÍSO DENTRO DE SI
Aqui está a sabedoria antiga de gnósticos, hermetistas, Sufistas, Gurus Tantra, yogis e curadores ocultistas. Seu corpo é o espelho do macrocosmo, o reino do paraíso dentro de você. Tantras Tibetanos e Indianos, e workshops modernos de psicologia treinam os estudantes a prestar atenção nas energias e mensagens do corpo.
Por 1.981 o Americano inteligente estava começando a definir seu corpo como uma estação de recebimento complexa, um satélite de comunicação sagrado, um telescópio bípede, um mosaico de microfones de toque, cheiro, audição e paladar captando as vibrações de sistemas de energia planetários, uma retina em ABC mundial, um tímpano RCA, um “Cheira e Diz” Internacional, um laboratório consolidado de Comidas Gerais. O Deus do senso incomum.

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2 de jul. de 2010

Os vegetais alucinógenos que ocorrem no Brasil

O nosso país, principalmente através de sua imensa riqueza natural, tem várias plantas alucinógenas. Os mais conhecidos estão citados a seguir.

---Cogumelos
O uso de cogumelos ficou famoso no México, onde desde antes de Cristo já era usado pelos nativos daquela região. Ainda hoje, sabe-se que o "cogumelo sagrado" é usado por alguns pajés. Ele recebe o nome científico Psilocybe mexicana e dele pode ser extraído uma substância de poderosa alucinógena: a psilocibina. No Brasil ocorrem pelo menos duas espécies de cogumelos alucinógenos, em deles é o Psilocybe cubensis e o outro é espécie do gênero Paneoulus.


---Jurema
O vinho de Jurema, preparado à base de planta brasileira Mimosa hostilis, chamado popularmente de Jurema, é usado pelos remanescentes índios e caboclos do Brasil. Os efeitos do vinho são muito bem descritos por José de Alencar no romance Iracema. Além de conhecido pelo interior do Brasil, só é utilizado nas cidades em rituais de candomblé por ocasião de passagem de ano, por exemplo. A Jurema sintetiza uma potente substância alucinógena, a dimetiltriptamina ou DMT, responsável pelos efeitos.


---Mescal ou Peyot
Trata-se de um cacto, também utilizado desde remotos tempos na América Central, em rituais religiosos. Trata-se de um cacto o qual produz a substância alucinógena mescalina. Não existe no Brasil.


---Caapi e Chacrona
São duas plantas alucinógenas que são utilizadas conjuntamente sob forma de uma bebida que é ingerida no ritual Santo Daime ou Culto da União Vegetal e várias outras seitas. Este ritual está bastante difundido no Brasil (existe nos Estados no Norte, São Paulo, Rio de Janeiro, etc.) tendo o seu uso na nossa sociedade vindo dos índios da América do Sul. No Peru a bebida preparada com as duas plantas é chamada pelos índios quéchas de Ayahuasca que quer dizer "vinho da vida". As alucinações produzidas pela bebida são chamadas de mirações e os guias desta religião procuram "conduzi-las" para dimensões espirituais da vida.
Uma das substâncias sintetizadas pelas plantas é a DMT já comentada em relação à Jurema.

---Efeitos no cérebro
Já foi acentuado que os cogumelos e as plantas analisadas acima são alucinógenas, isto é, induzem alucinações e delírios. É interessante ressaltar que estes efeitos são muito maleáveis, isto é, dependem de várias condições, como sensibilidade e personalidade do indivíduo, expectativa que a pessoa tem sobre os efeitos, ambiente, presença de outras pessoas, etc., como a bebida do Santo Daime.
As reações psíquicas são ricas e variáveis. Às vezes são agradáveis ("boa viagem") e a pessoa se sente recompensada pelos sons incomuns, cores brilhantes e pelas alucinações. Em outras ocasiões os fenômenos mentais são de natureza desagradável, visões terrificantes, sensações de deformação do próprio corpo, certeza de morte iminente, etc. São as "más viagens".
"Tanto as "boas" como as "más" viagens podem ser conduzidas pelo ambiente, pelas preocupações anteriores (o experimentador costumaz sabe quando não está de "cabeça boa" para tomar o alucinógeno) ou por outra pessoa. Esse é o papel do "guia" ou "sacerdote" nos vários rituais religiosos folclóricos, que, juntamente com o ambiente do templo, os cânticos, etc., são capazes de conduzir os efeitos mentais para o fim desejado".

----Efeitos no resto do corpo
Os sintomas físicos são pouco salientes, pois são alucinógenos primários. Pode aparecer dilatação das pupilas, suor excessivo, taquicardia e náuseas/vômitos, estes últimos mais comuns com a bebida do Santo Daime.

---Aspectos Gerais
Como ocorre com quase todas as substâncias alucinógenas, praticamente não há desenvolvimento de tolerância; também comumente não induzem dependência e não ocorre síndrome de abstinência com o cessar de uso. Assim, a repetição do uso dessas substâncias tem outras causas que não o evitar os sintomas de abstinência. Um dos problemas preocupantes com o uso desses alucinógenos é a possibilidade, felizmente rara, da pessoa ser tomada de um delírio persecutório, delírio de grandeza ou acesso de pânico e, em virtude disto, tomar atitudes prejudiciais a si e aos outros.

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